Transfigural

              A série Transfigural é advinda de uma pesquisa em desenvolvimento que fundamenta-se na ideia de trabalhar a figura como um ponto de referência para acessar as intensidades do acontecimento, além da concepção de representatividade, e tem como referência os trabalhos de Francis Bacon e Gilles Deleuze.

             Há na pintura o esgarçamento das fronteiras entre o realístico e o abstrato, o matérico e o etérico, a figura e o fundo, e a noção de dentro e fora. Como uma célula que está em processo de fusão e integração com outra célula, mas ambas não definiram ainda seus lugares, são apenas tensões e massas com conteúdos em devir. 

     

      O corpo humano pertence também à pesquisa da série Transfigural, porém, quando se trata do retrato, procuro desenvolver a ideia da transfiguração da dimensionalidade da  figura e não da relação figura-fundo. Há a intenção de promover a não-linearidade de camadas de profundidade, de tal forma que o dentro e o fora sejam desconstruídos, e as sombras deem acesso às víceras, desenhando um corpo pictórico feito de uma matéria etérea, numa trama expressiva, com transparências que criam uma de pele de luz.

© 2016 por Nathalia Cruz